A Neuroarquitetura em qualquer ambiente

Desde que descobrimos a Neuroarquitetura e a começámos a estudar que sempre a direcionámos para os ambientes corporativos. Primeiro porque faz todo o sentido e depois porque a rentabilidade desses profissionais e o consequente crescimento das empresas pode mesmo ser incrementado.

Porém, no início deste mês, surgiu um desafio diferente, por convite da Portal Decor: falar de Neuroarquitetura na Intercasa, uma feira de decoração, na FIL em Lisboa, totalmente dedicada ao setor residencial.

E pronto, um novo desafio…

Parámos tudo, para olhar através dos olhos da Neuroarquitetura para os projetos residenciais e assim preparar o nosso workshop.

Eis que somos presenteadas com excelentes surpresas…

Primeiro descobrimos que já aplicávamos conhecimentos de Neuroarquitetura neste setor, intrinsecamente e de forma inconsciente e depois tomámos a real consciência de todo o imenso potencial da Neuroarquitetura, percebendo que pode ser transversal a qualquer projeto independentemente do local onde será implementado.

Percebemos que se nos focarmos nas pessoas, nas suas necessidades e experiências ao mesmo tempo que aplicamos os conhecimentos que a Neuroarquitetura nos proporciona podemos, com toda a certeza, aumentar a qualidade de vida e bem-estar não só das pessoas enquanto profissionais, mas também enquanto residentes na sua própria casa, residentes no seu bairro e cidade, enquanto clientes de lojas, restaurantes ou centros comerciais… Podemos aumentar a qualidade de vida e bem-estar de qualquer pessoa que esteja ou passe em qualquer lugar…

Apesar desta “descoberta” estar à nossa frente há mais de um ano, nunca tínhamos olhado para ela da forma como a vimos após refletirmos sobre o assunto.

E sabem uma coisa? Sentimos algo semelhante ao que o alquimista chinês sentiu quando descobriu a pólvora 🙂

Com a publicação de hoje vamos sair um bocadinho do trilho que temos vindo a percorrer e vamos escrever sobre Neuroarquitetura aplicada a ambientes residenciais, fazendo de certa forma um resumo do que falámos no nosso workshop, com o objetivo de dar a conhecer um pouco mais sobre o incrível mundo que junta a neurociência com a arquitetura.

 

Mas afinal o que é exatamente a Neuroarquitetura?

A Neuroarquitetura é a junção de duas ciências exatas: a neurociência e a arquitetura e dá-nos justificações biológicas para o impacto do ambiente no cérebro humano.

 

Através de estudos científicos, ficamos a saber que somos influenciados por tudo o que nos rodeia o tempo todo, afetando o nosso comportamento, bem-estar e qualidade de vida, motivação, produtividade…

 

Tendo em conta que passamos 90% das nossas vidas em ambientes construídos, (sendo que as duas maiores fatias são dedicadas ao local de trabalho e ao local onde moramos), significa que o planeamento estratégico dos ambientes representa uma ferramenta muito poderosa que temos ao nosso dispor para influenciar positivamente a vida das pessoas.

Por outro lado, se refletirmos no estado da nossa sociedade e em algumas das suas características atuais, como o stress, o ritmo de vida alucinante, a busca pelo bem-estar, pela qualidade de vida e pela felicidade, percebemos que é urgente repensar os ambientes e usar de todo o conhecimento que já vamos tendo em nosso poder para inverter o rumo para onde estamos a encaminhar-nos.

 

Se podemos mudar drasticamente o mundo? Não, talvez não de forma radical, mas acreditamos que podemos fazer a nossa cota parte e que se todos fizermos um bocadinho a mudança surgirá com toda a certeza.

Afinal de contas nós conhecemos o efeito borboleta 🙂

 

Face a tudo o que já escrevemos, a proposta é criar ambientes como ferramentas para estimular as emoções que se ambicionam para cada lugar onde nos podemos encontrar e alcançar desta forma a Felicidade tão almejada.

 

Neste alinhamento, existem uma série de estratégias que podemos aplicar no planeamento dos ambientes.

Neste texto daremos ênfase a sete delas.

 

1. Personalização e empatia

 

Quando um ambiente é criado, ele tem como maior dos propósitos acolher pessoas específicas com uma cultura específica, necessidades e experiências específicas, por isso, nada mais natural que conhecer ao máximo as especificidades de quem usufruirá do espaço e planear o seu ambiente de acordo com a riqueza de toda essa informação.

 

2. Explorar todas as vias sensoriais

É verdade que a visão é a via pela qual conseguimos levar informações ao cérebro mais fácil e rapidamente, porém não é a única.

O planeamento de um ambiente feito de forma criativa pode e deve invocar todas as vias sensoriais. Usar e abusar da visão, mas também do olfato, da audição, do tato e, porque não, do paladar.

 

3. Estímulos para a saúde

Com o que já escrevemos até aqui já vos mostramos que o planeamento de um ambiente pode e deve ser muito mais do que a disposição de peças de mobiliário com peças de decoração para chegar a algo com um elevado valor estético (apenas).

Se o nosso bem-estar está diretamente ligado à nossa saúde, e já que estamos a olhar para os ambientes que nos rodeiam como ferramentas para potenciar o nosso bem-estar, então, porque não, fazer a junção das duas coisas e prever, durante o planeamento dos ambientes, a inclusão de estímulos que promovam a saúde.

Podem ser sob a forma de ambientes calmos num quarto que convidem ao relaxamento e ao real descanso durante a noite.

Podem ser sob a forma de paletas de cores que inibam o consumo excessivo de comida.

E podem ser tantos outros…

 

4. Cores

Paletas de cores bem planeadas para cada ambiente, mediante as emoções expectáveis para cada um deles, pode revelar-se um trufo de enorme valor. Aceita a proposta para umas leituras de psicologia das cores?

Mas atenção, as cores estão muito relacionadas com as culturas o que nos remete mais uma vez para a personalização e empatia.

 

5. Iluminação

Qual a temperatura de cor certa para cada ambiente? A maioria dirá que uma iluminação neutra de 4000 Kelvins em todos os ambientes é o ideal…

Já nós dizemos-lhe que tudo depende das emoções que se pretendem despertar em cada ambiente.

Numa cozinha deve privilegiar-se uma luz mais fria, com uma temperatura de cor na ordem dos 6000 Kelvin, uma luz branca que mantém o cérebro desperto ao mesmo tempo que permite ver as verdadeiras cores dos alimentos que se estão a cozinhar.

Já num quarto, a temperatura de cor ótima andará nos 3000 Kelvins, uma luz amarela que promove a produção de melatonina, a hormona do sono, necessária para haja uma noite de sono reparador.

 

6. Elementos naturais

É certo que toda a moeda tem o seu reverso e que não há bela sem senão. De facto, toda a evolução que temos vivido nos últimos tempos tem trazido muitos benefícios à nossa vida e ao nosso cotidiano, mas também nos tem afastado muito da Natureza.

Estudos científicos mostram que estar em comunhão com a Natureza aumenta a nossa qualidade de vida e bem-estar, por isso, porque não trazer elementos naturais para o interior dos espaços?

Para uma leitura mais aprofundada sobre os elementos naturais, consulte o artigo que escrevemos para o blog da Qualidade Corporativa: Quando a Neuroarquitetura e a Biofilia se juntam: estratégias simples para diminuição do stress no local de trabalho. Apesar de ser um texto direcionado para os ambientes de trabalho, acreditamos que com os devidos ajustes, é transversal a qualquer ambiente.

 

7. Segurança

Ao planear um ambiente devemos ter presente o que é seguro para quem usufruirá desse espaço, falamos do que identificamos imediatamente e de forma consciente, como é o caso de uma escada sem corrimão.

Mas, também falamos do que identificamos de forma inconsciente. Formas bicudas, por exemplo informam o nosso cérebro que estamos sob perigo, como reação biológica, a amígdala do nosso cérebro faz descargas de adrenalina que nos mantêm atentos e alerta, não nos permitindo relexar.

 

 

Os resultados esperados para um ambiente planeado e estudado tendo em conta a Neuroarquitetura: aumento da felicidade, da qualidade de vida, do bem estar e da saúde.

Finalmente e para fechar esta publicação, queremos que saiba que um projeto de interiores ou uma consultoria para auxilio no planeamento do seu ambiente, tendo em conta os conhecimentos que a Neuroarquitetura nos transmite, deve ser visto como um investimento com retorno a curto, médio e longo prazo.

Por isso, independentemente do ambiente que tem para planear, contacte-nos teremos muito gosto em falar consigo.

Até breve.